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A água por entre os dedos, as tuas mãos em concha, uma imagem de apagar a sede onde os teus olhos desaguam. É aí que o dia se evapora numa segunda adivinhação: a sede da terra que já foi engolida pelas chamas. A outra é estar diante da seara e esquecer os mortos como se nada tivesse acontecido. Este ar passivo e morno que nos transforma em pássaros inquietos, numa total ausência de sons e de mãos caídas sobre essa tarde de ânsias e esperas! As aves fugiram. O seu lugar estava disforme e indecifrável. Não havia sombra. Tudo era cinzento e tudo se desfazia numa espessa nuvem de negro fumo que tingia montes. Agora, a árvore das labaredas cresce mil vezes mais e os rios, onde ela vai beber, começam lentamente a secar. Depois invadiste aquele silêncio selvagem e caminhaste noutra direção, a de reconstruir o teu tear sagrado. Certamente o último lugar do fogo onde, pelos teus trapos, havias deixado a marca das tuas mãos. Falaram-te do inferno, de um arco-íris escondido entre as ...
Procurava o olhar íntimo de uma oração que aos pés da cidade o tempo consagrou. Talvez se demorasse. Ia com os instantes selados no peito até ao fim dos séculos para que o tempo deixasse de passar por si.
Um poema, em forma de soneto para os meus amigos, neste final de férias.
Ler poesia é a melhor terapia Os poetas têm o nobre condão de fazer do poema arco e setas do silêncio morada e solidão da carne das palavras doces letras. O pensamento é o seu lugar fiel o áureo de luz na caminhada e a loucura do branco do papel é o vinho que eles bebem à chegada. Então chegados à grande vastidão vendo o poema ausente logo fazem o resgate da caneta à fantasia. E em dando à escrita mão na mão a palavra talhada em prosa ou verso sentem acontecer a poesia. Álvaro de Oliveira
E Leio... O poema é o esplendor do teu olhar a candura de um voo na mensagem a ternura de um verso ao luar a estrela da manhã, a bela imagem. O poema habita agora em mil abraços é sonho, o sol das mãos, linho de mágoa todas as cores dos rios, os teus braços a folha de papel, o manto de água. É melodia, amêndoa doce, o espaço sem espaço, sem tecto, sem medida o pôr do sol em amena despedida O sol do outono, as várias cores da folha é o instante sagrado e sublime o ritmo duma oração que nos redime.