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Procurava o olhar íntimo de uma oração que aos pés da cidade o tempo consagrou. Talvez se demorasse. Ia com os instantes selados no peito até ao fim dos séculos para que o tempo deixasse de passar por si.
Um poema, em forma de soneto para os meus amigos, neste final de férias.
Ler poesia é a melhor terapia Os poetas têm o nobre condão de fazer do poema arco e setas do silêncio morada e solidão da carne das palavras doces letras. O pensamento é o seu lugar fiel o áureo de luz na caminhada e a loucura do branco do papel é o vinho que eles bebem à chegada. Então chegados à grande vastidão vendo o poema ausente logo fazem o resgate da caneta à fantasia. E em dando à escrita mão na mão a palavra talhada em prosa ou verso sentem acontecer a poesia. Álvaro de Oliveira
E Leio... O poema é o esplendor do teu olhar a candura de um voo na mensagem a ternura de um verso ao luar a estrela da manhã, a bela imagem. O poema habita agora em mil abraços é sonho, o sol das mãos, linho de mágoa todas as cores dos rios, os teus braços a folha de papel, o manto de água. É melodia, amêndoa doce, o espaço sem espaço, sem tecto, sem medida o pôr do sol em amena despedida O sol do outono, as várias cores da folha é o instante sagrado e sublime o ritmo duma oração que nos redime.
Álvaro de Oliveira participa no Evento Dizer Poesia.
Falo-te de uma pureza das palavras das várias cores da seara por Abril da brisa que passa em risos de manhãs e da tela onde escreves a branco o teu silêncio. Falo-te de referências do povo de rostos e de casas, e de aves povoando o amanhecer dos dias, como das mãos que tecem, fio a fio, a orla rendada do meu país. Mas ainda posso falar-te das manhãs de primavera das palavras puras e despidas de cansaço da poesia dourada em espelhos de água sobre livros que já me enlouqueceram. Álvaro de Oliveira